Daniel Carvalho


Como vês o panorama do Bartending em Portugal e como vês o seu caminho/futuro? Como vês a oferta formativa actual no nosso país e de que maneira está a ser aplicada? Decidimos criar uma rubrica onde iremos desafiar alguns dos mais conhecidos Bartenders que frequentaram as formações da Bartending Project a falar um pouco deles e a responderem a estas e outras perguntas. Segue as respostas do actual Barman do Ano Daniel Carvalho, que nos disponibilizou algum do seu tempo e ao qual deixamos o nosso obrigado.

Para os mais distraídos dá-nos uma breve introdução de quem és e qual foi o teu back ground em termos profissionais.

Iniciei o meu percurso profissional de Bartender na área de residência, Ermesinde, no Bar Villa e Sindicato Club. Passei por espaços como o Classe Bar em Vila Nova de Famalicão e Forte S. João em Vila do Conde e o The Gin House no Porto. Fiz parte também do staff que elaborou diversos eventos pela GIMC e Mr. & Mrs Bartender a norte do país.

Finalista Português de diversas competições como Putting Pen to Shaker 2014 by The Poshmakers, Portuguese Bartender of The year 2014 by Bulldog, Magellan 2015, Diplomatico Worldtournament 2015 e 2017 (neste último arrecadou o honroso 2º lugar), WorldClass Portugal 2015 e 2016.

Vencedor Ibérico da competição Mediterranean Inspiration 2017 by Gin Mare.

Vencedor Barman do Ano 2017 by Edições do Gosto.

Top 5 dos melhores Bartenders nacionais pelo Drinks Diary Bar Awards 2018.

Atualmente exerço funções de Head Bartender no The Royal Cocktail Club desde a sua abertura. Dada a evolução e o extremo desgaste necessário para um atendimento positivo todos os dias diz-nos como te auto-motivas e quem são as tuas referências.

A minha motivação nasce desde o acordar feliz por ir trabalhar. Neste momento faço aquilo que mais gosto e para mim é o suficiente para estar motivado a dar o melhor de mim diariamente. A minha maior referência no que toca ao saber receber e ser uma pessoa extremamente positiva será o David Rios. Fez-me perceber que mais do que servir bons cocktails é ter uma atitude amável para com quem recebemos, sejam eles clientes ou amigos, um verdadeiro “Gentleman” no verdadeiro sentido da palavra mantendo a sua humildade.

Que conteúdos gostaria de ver expostos / desenvolvidos na formação em Portugal?

Mais sobre fermentações e destilações, assim como extrações de sabor por infusões, ultra-sons ou rotavapor

O que representou para ti as formações que tiraste na Bartending Project e como mudou o teu percurso profissional?

Mudou completamente a minha forma de abordar um cocktail. Deu-me ferramentas para criar sem complicar. Mostrou que a nossa imaginação não tem limites quando temos um simples ingrediente na mão e queremos transformar isso em estado líquido.

Após diversas formações feitas ate hoje, destaco as da Bartending Project pela forma qualitativa na explicação de métodos de execução. Ficou tudo muito mais simples.

Encontrou ligação entre os conteúdos dados e as suas tarefas no seu posto de trabalho?

Tendo em conta que as formações que tirei foram durante o processo de abertura do The Royal Cocktail Club, posso dizer que fazemos 70% do que aprendemos durante as mesmas no nosso espaço.

Em que medida as aptidões desenvolvidas no curso o fez melhorar enquanto trabalhador?

Fez com que fosse mais rápido na criação de novos cocktails. Quanto maior a nossa capacidade de conhecimento dos ingredientes ou métodos de trabalho, maior é a eficácia.

O boom turístico que Portugal está a ter, recebendo visitantes, cada vez mais, de origens diversificadas é um estímulo para criação de novas respostas a novos pedidos?

É um estimulo sim, mas estando eu a Norte de Portugal onde ainda não estará totalmente enraizada o culto do cocktail, embora esteja a crescer imenso, foco-me mais no cliente Português que no estrangeiro, para já…

Em que áreas (ou porque razão) os bartenders portugueses já se começaram a destacar e em que áreas ainda há mais espaço a crescer?

Para mim a maior área de crescimento será no “tempo”. Com isto quero dizer que hoje em dia vejo Bartenders a querer chegar ao topo muito rápido e sem conhecimento e “bagagem” para isso, falta estudo, dedicação e capacidade de sacrifício. Fazer muita formações, experimentações e provas antes de acharem que já são os melhores.

Quais são os teus objectivos / metas profissionais para este 2018?

Tenho alguns objectivos que espero conseguir cumprir em 2018 mas que para já não os poderei revelar, e tenho uma ambição enorme em consolidar ainda mais o The Royal Cocktail Club e esperar que o mercado do Porto cresça de uma forma qualitativa no que toca a bares de cocktails. Espero que mais empresários com a mesma visão que os do The Royal Cocktail Club apareçam com projectos ambiciosos e sustentáveis para que todos consigamos crescer nesta industria.


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